Por que os casos de Câncer de Tireoide estão aumentando tanto? Entenda os motivos

Você já teve a impressão de que, ultimamente, todo mundo conhece alguém que descobriu um problema na tireoide? Seja um nódulo, uma alteração hormonal ou até mesmo um diagnóstico de câncer. Se você notou isso, saiba que não é apenas uma "impressão".


As estatísticas globais confirmam o que vemos no consultório todos os dias: a incidência de problemas na tireoide, especialmente o câncer, tem crescido de forma significativa nas últimas décadas.


Isso gera uma dúvida muito natural e, ao mesmo tempo, angustiante: "O que nós estamos fazendo de errado?". Será que é algo que estamos comendo? Será o ar que respiramos? Ou será apenas que estamos fazendo mais exames do que antigamente? Essa é uma pergunta que não tira o sono apenas dos pacientes, mas também desafia a comunidade médica mundial.


Hoje, vamos conversar francamente sobre esse fenômeno. Vamos deixar de lado o "mediquês" complicado e mergulhar nas causas reais que médicos especialistas, como o Dr. Erivelto Volpi, estão investigando. Vamos falar sobre como o nosso estilo de vida moderno e substâncias invisíveis chamadas "disruptores endócrinos" podem estar hackeando o nosso sistema hormonal. Puxe uma cadeira, porque essa conversa é sobre a sua saúde e a do futuro da sua família.

O Fenômeno Global: Não é só no Brasil

Primeiro, é importante você entender que o aumento dos casos de câncer de tireoide não é uma exclusividade brasileira. É um fenômeno mundial. Países desenvolvidos como Estados Unidos, Coreia do Sul e nações da Europa têm reportado curvas de crescimento similares.


Durante muito tempo, acreditou-se que esse aumento era apenas culpa da melhoria tecnológica. Pense comigo: antigamente, um nódulo precisava ser grande o suficiente para ser sentido com a mão (palpação) para ser descoberto. Hoje, temos aparelhos de ultrassom de alta resolução capazes de achar nódulos de 2 ou 3 milímetros.


É verdade que estamos diagnosticando mais porque estamos procurando melhor (o que chamamos de "sobrediagnóstico" em alguns casos). Porém, estudos epidemiológicos recentes mostram que essa não é a única resposta. Mesmo descontando a melhora nos exames, existe um aumento real da doença, inclusive de tumores maiores. E o que mais assusta: isso está acontecendo em pacientes cada vez mais jovens.


Se não é só o ultrassom, o que está acontecendo? A resposta pode estar escondida na química do nosso dia a dia.

Os Vilões Invisíveis: O que são Disruptores Endócrinos?

Aqui entramos no coração do problema, um tema que o Dr. Erivelto Volpi e pesquisadores de ponta ao redor do mundo têm se debruçado. Existe uma classe de substâncias químicas chamadas disruptores endócrinos.


O nome parece complicado, mas o conceito é simples. "Disruptor" vem de disrupção, ou seja, quebra, interrupção ou bagunça. "Endócrino" refere-se aos hormônios. Portanto, essas são substâncias que, quando entram no nosso corpo, têm a capacidade de bagunçar o nosso sistema hormonal.


Imagine que os hormônios da tireoide são chaves que abrem fechaduras específicas nas células para fazê-las funcionar. Os disruptores endócrinos são "chaves falsas". Eles são tão parecidos quimicamente com os nossos hormônios naturais que conseguem enganar o corpo. Eles podem:


  1. Bloquear a fechadura, impedindo o hormônio real de agir;
  2. Imitar o hormônio, fazendo a célula trabalhar de forma errada ou exagerada;
  3. Alterar a produção e a destruição dos hormônios naturais.


O resultado dessa confusão química a longo prazo pode ser o estímulo para o crescimento de nódulos e, infelizmente, o desenvolvimento do câncer de tireoide.

Onde eles se escondem? O perigo está na rotina

Você pode estar pensando: "Ok, mas eu não trabalho em uma indústria química, então estou seguro". Infelizmente, não é bem assim. Os disruptores endócrinos são onipresentes na vida moderna. Eles estão na sua cozinha, no seu banheiro e até no ar da sua sala.


Vamos listar onde esses agentes costumam se esconder para que você comece a prestar atenção:


1. Plásticos e o Bisfenol A (BPA)

O plástico é o inimigo número um da tireoide moderna. Muitos plásticos contêm Bisfenol A (BPA) ou substitutos (BPS), que são disruptores potentes. Sabe aquela garrafinha de água que ficou no carro esquentando no sol? Ou aquele pote de plástico que você coloca no micro-ondas com a comida do almoço? Quando o plástico aquece, ele libera essas substâncias na comida ou na água. Você ingere o BPA, e ele vai direto para a sua corrente sanguínea, "conversar" com a sua tireoide.


2. Cosméticos e Produtos de Higiene

Dê uma olhada no rótulo do seu shampoo, creme hidratante ou esmalte. Procure por palavras como "Ftalatos" (Phthalates) ou "Parabenos". Essas substâncias são usadas como conservantes ou para dar flexibilidade aos produtos. A pele é o maior órgão do corpo e absorve muito do que colocamos nela. O uso diário e contínuo desses produtos cria um efeito acumulativo no organismo, que pode ser um gatilho para alterações celulares na tireoide.


3. Agrotóxicos e Pesticidas

A alimentação é a base da saúde, mas também pode ser a porta de entrada para toxinas. Diversos pesticidas utilizados na agricultura convencional agem como disruptores endócrinos. Ao consumirmos frutas e verduras carregadas desses venenos, estamos, sem querer, expondo nossa glândula a um estresse químico constante.


4. Panelas Antiaderentes e Tecidos Impermeáveis

Sabe aquelas panelas que não grudam nada? Ou aquele casaco que repele água? Muitos utilizam compostos perfluorados (PFCs). Estudos sugerem uma correlação entre altos níveis dessas substâncias no sangue e alterações na função tireoidiana.


Por que os Jovens estão sendo mais afetados?

Uma das grandes preocupações levantadas pelos especialistas é a idade dos pacientes. Antigamente, câncer era visto como uma doença do envelhecimento. Hoje, recebemos jovens de 20, 25, 30 anos com diagnósticos de câncer de tireoide.


A hipótese mais forte liga isso ao tempo de exposição e à "janela de vulnerabilidade". As gerações mais novas já nasceram imersas nessa "sopa química". Desde bebês, usam mamadeiras de plástico (embora hoje muitas sejam BPA Free, outros aditivos existem), comem alimentos processados com conservantes, usam brinquedos de plástico e cosméticos desde cedo.


Além disso, a adolescência é uma fase de turbilhão hormonal. Expor o corpo a disruptores endócrinos justamente na fase em que o sistema endócrino está se desenvolvendo e se ajustando pode ser muito mais perigoso do que a exposição na vida adulta. É como tentar consertar um motor com o carro em movimento e alguém jogando areia nas engrenagens.

A Poluição e os Agentes Aerossóis

O Dr. Erivelto menciona também os agentes poluentes e aerossóis. A qualidade do ar nas grandes metrópoles carrega metais pesados e partículas finas que, ao serem inaladas, entram na circulação sistêmica.


Não podemos ignorar também os retardantes de chama (substâncias usadas em móveis, colchões e eletrônicos para evitar incêndios). Eles soltam partículas no pó doméstico que acabamos inalando dentro de casa. Parece filme de ficção, mas a nossa casa moderna é um laboratório químico complexo.

Obesidade e Inflamação: O Combustível do Problema

Embora os disruptores sejam o foco principal desta conversa, não podemos esquecer de um parceiro de crime: a obesidade. O aumento de peso da população caminha lado a lado com o aumento do câncer de tireoide.


O tecido adiposo (gordura) não é apenas um depósito de energia inerte. Ele é um órgão endócrino ativo que produz hormônios e substâncias inflamatórias. A obesidade gera um estado de inflamação crônica no corpo. Além disso, muitos disruptores endócrinos são "lipofílicos", ou seja, eles amam gordura. Eles se acumulam no tecido adiposo e ficam ali, sendo liberados lentamente no corpo por anos. Portanto, manter o peso controlado é também uma forma de proteção contra esses agentes.

O que podemos fazer? Estratégias de Defesa

Depois de ler tudo isso, é normal sentir um pouco de medo. Mas o objetivo aqui não é criar pânico, e sim consciência. Não podemos viver em uma bolha, mas podemos reduzir drasticamente a nossa exposição com mudanças simples de hábitos.

Aqui está um "Manual de Sobrevivência" para a sua tireoide:


1. Troque o Plástico pelo Vidro: Essa é a mudança mais impactante. Use potes de vidro para guardar comida na geladeira e, principalmente, para esquentar no micro-ondas. Leve sua água em garrafas de aço inox ou vidro. Nunca beba café quente em copinho de plástico mole.

2. Leia os Rótulos dos Cosméticos: Comece a optar por produtos mais naturais, livres de parabenos, ftalatos e triclosan. Menos química na pele significa menos carga tóxica para a tireoide.

3. Descasque mais, desembale menos: Reduza o consumo de alimentos ultraprocessados (que vêm cheios de conservantes e embalagens plásticas). Sempre que possível, prefira alimentos orgânicos para fugir dos agrotóxicos.

4. Filtre sua Água: A água da torneira pode carregar resíduos. Um bom filtro é um investimento em saúde.

5. Ventile sua Casa: Abra as janelas. Deixar o ar circular ajuda a diminuir a concentração de poluentes domésticos e poeira química.

Diagnóstico Precoce: A Melhor Notícia

Apesar do aumento da incidência, temos uma excelente notícia para equilibrar a balança: a mortalidade pelo câncer de tireoide não aumentou na mesma proporção. Pelo contrário, ela se mantém baixa e estável.


Isso acontece porque a maioria absoluta desses novos casos que estamos descobrindo são de Carcinoma Papilífero, um tipo de câncer que costuma ser pouco agressivo, de crescimento lento e com altíssimas taxas de cura (acima de 95%).


Como estamos diagnosticando cedo — muitas vezes nódulos pequenos —, os tratamentos são cada vez menos agressivos.

  • Vigilância Ativa: Em alguns casos de tumores muito pequenos, podemos apenas observar sem operar.
  • Ablação por Radiofrequência: Uma técnica moderna onde tratamos o nódulo ou o câncer inicial com uma agulha, sem cortes e sem retirar a tireoide, preservando a função hormonal.
  • Cirurgias Minimamente Invasivas: Quando a cirurgia é necessária, as técnicas hoje são muito mais seguras e estéticas.


O perigo real não é o aumento dos casos, mas sim o diagnóstico tardio ou o tratamento inadequado.

O Papel do Médico Especialista

Diante de um cenário onde fatores ambientais estão jogando contra nós, o papel do médico especialista torna-se ainda mais crucial. Não basta apenas tratar a doença; precisamos entender o paciente como um todo.


Um bom especialista em tireoide vai investigar não só o seu ultrassom, mas o seu estilo de vida, sua exposição a riscos e seu histórico familiar. Ele será capaz de dizer se aquele nódulo que apareceu é fruto de uma "bagunça hormonal" que precisa de ajuste de hábitos ou se é uma lesão que precisa de intervenção imediata.


Médicos atualizados, como o Dr. Erivelto Volpi, estão na vanguarda dessa discussão, trazendo para o consultório não apenas a técnica cirúrgica, mas a visão integrativa de saúde que busca prevenir antes de remediar.

Informação é Poder

O aumento dos casos de câncer de tireoide é um alerta da natureza. Ele nos diz que o nosso estilo de vida moderno tem um preço. Os disruptores endócrinos são uma realidade que a ciência está apenas começando a mapear completamente, mas já sabemos o suficiente para agir com prudência.


Você não precisa mudar sua vida inteira do dia para a noite, mas pequenos passos na direção certa — menos plástico, comida mais limpa, produtos mais naturais — constroem uma barreira de proteção para você e sua família.


E lembre-se: ter um nódulo não é o fim do mundo. Na imensa maioria das vezes, é algo tratável e curável. O importante é não negligenciar. Faça seus exames de rotina, toque seu pescoço e fique atento aos sinais do seu corpo.


Se você tem notado alterações na sua saúde, tem histórico familiar ou simplesmente quer garantir que está tudo bem com a sua tireoide diante de tantos fatores de risco, não deixe para depois.



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